sábado, 16 de maio de 2009

O maior título da minha vida...


Companheiros e Companheiras,

tomei vergonha na cara!

Depois de alguns e-mails recebidos e que reclamaram minha ausência injustificada por aqui, decidi vir explicar...

No domingo dia 26 de abril ganhei o maior presente dos Céus e da Terra. Não, não foi o 3X1 sobre o Santos na Vila Belmiro, embora tenham sido maravilhosos os gols do Chicão e, especialmente, os do Ronaldo Fenômeno!!! Também não foi o Título Paulista invicto. Aliás, confesso, que desde então começo a relativizar a importância das glórias futebolísticas, mesmo elas sendo deliciosas.

O maior caneco da minha vida foi o nascimento do meu primeiro filho, o FRANCISCO. Ele veio ao mundo às 15h13, de cesárea, com 4,215 Kg e 53 cm. Meu Gigababy e minha Irazinha lutaram muito, mas pelo seu tamanho - especialmente seus ombrinhos largos - não foi possível o parto normal...

Amanhã ele completa 21 dias conosco. Estou curtindo tanto esse período que decidi tirar licença paternidade deste Blog por tempo indeterminado. E quando eu voltar a postá-lo, talvez inclua minhas experiências como pai entre assuntos a serem abordados. Porque nenhuma aventura se compara à da vida... O futebol, no máximo e em algumas ocasiões, serve como uma boa metáfora dela... E sem a vida, não há política, religião, esporte, etc... Ou seja, ela é o tema dos temas...

Bom, mas voltando ao assunto: preciso mesmo dar um tempo daqui!

Agora só quero cuidar do meu Chiquinho, da minha Irazinha e de mim também...

Mas, sendo sincero, só tem sido possível dar carinho ao bichinho...

Minha cabeça está a mil, a dois mil, a três mil... Só penso no pequeno - nem tão pequeno assim!!! - e na minha Irá...

Como vocês vêem, estou bem feliz, embora um pouco maluquinho – provavelmente – devido às poucas hora de sono e ao caos que se tornou minha (nossa!) vida!

Abraços e Beijos,

Daniel Tojeira Cara.

Obs.: acima está postada uma foto do meu pequeno “Paxazinho” tirada na maternidade...

segunda-feira, 20 de abril de 2009

O freguês voltou: Corinthians 4 X São Paulo 1 na soma dos resultados...

Mais um Majestoso, mais uma vitória do Corinthians. E estou completamente rouco. Fazia tempo que não via uma vitória tão inconteste no mais polêmico clássico paulista. E o placar poderia ter sido mais elástico... Sinceramente, houve excesso de respeito ou alguma displicência por parte dos jogadores mosqueteiros, por que se assim não fosse seria plenamente factível ao Corinthians marcar mais uns 3 ou 4 gols. Ainda assim, a vitória foi indiscutível: o São Paulo deixou de existir em campo aos 13 minutos do segundo tempo. Preocupada com a apatia do time diante do maior rival, a torcida são-paulina - normalmente arrogante - rendeu-se à superioridade alvi-negra. Resignada, cantou o hino tricolor mesmo diante de tão acachapante derrota, procurando evitar que o resultado ponha em risco a campanha de seu time na Libertadores da América. Será que vai funcionar???

Em poucas palavras, nos dois jogos, o Corinthians foi completamente superior. Mano driblou estratégica e taticamente Muricy. O espetacular Ronaldo calou Leco, Marco Aurélio Cunha e todos os demais empolados e presunçosos dirigentes do São Paulo. No duelo das camisas 10, Douglas superou Hernanes - que diria?. E Felipe mostrou que é um dos melhores goleiros do país... Para finalizar, o Fenômeno lavou a alma do seu companheiro Cristian na comemoração de seu gol: braços cruzados e dedos indicadores erguidos. E o Corinthians é o número 1. Ponto final.

Contudo, aos fundamentais grilos-falantes, a vitória representa apenas mais um acesso à uma grande final. E é verdade: para vencer o Santos de hoje - time moleque e motivado - será preciso ao Corinthians jogar mais do que jogou até agora. O time da baixada mostrou mais vontade e força que São Paulo e Palmeiras juntos...

Ou seja, o Timão tem mais duas semanas duras pela frente no Paulistão, é verdade. Porém, ainda que para o título faltem duas batalhas, ganhar dois jogos seguidos do São Paulo é diferente, especialmente do jeito que foi - tão inconteste!

Isso porque os dois times sintetizam os conflitos sociais na metrópole paulistana, a maior do Hemisfério Sul. Em síntese, ontem, o time-arquétipo do trabalhador venceu o time-arquétipo do novo rico. A periferia venceu o centro-expandido. O office boy se vingou do patrão. O mano venceu o mauricinho. O moleque que brinca nas ruas suburbanas ganhou do garoto que aprendeu a empinar pipa no ventilador, a jogar bola de gude no carpete...

É claro, toda generalização incorre em injustiças. No entanto, essas comparações dizem respeito a arquétipos, a tipos-ideais, como bem ensinou o sociólogo Max Weber. Em outras palavras, servem essencialmente como referência classificatória. Porém, enquanto os são-paulinos continuarem dizendo que o Corinthians é time de pobre, analfabeto, favelado, etc a comparação vale e os maloqueiros continuarão vencendo os supostos riquinhos. É o que mostra a história.

Enfim, como gritaram os corinthianos ontem: o “freguês voltou!” e “oléééé, ôôôôlé!!! Oxalá!!!

E, enquanto isso, meu vô Laurindo comemora no céu!!! E o meu filho Francisco comemora na barriga da minha Irazinha, já com quase 4 quilos e mais de 50 centímetros!!! Será que ele vai nascer Campeão Paulista?

domingo, 12 de abril de 2009

Primeiro Majestoso das Semis do Paulistão: Corinthians 2 X 1 São Paulo



No domingo de Páscoa de 2009 a mística corinthiana ressurgiu: o Timão venceu o Majestoso de virada, com gol do volante Cristian no último minuto - do jeito que o time do povo gosta!!! Rolou uma grande festa da Fiel Torcida. E foi merecida. 

Como de costume, jogadores e cartolas do São Paulo estão reclamando até agora do árbitro Fifa Salvio Spinola Fagundes Filho. De fato, hoje não era dia dele. Porém, lance-por-lance, os erros ocorreram para os dois lados de modo eqüanime. 

Logo no início Ronaldo poderia ser expulso, mas não foi. O gol de Miranda foi validado, mas não deveria. A penalidade máxima do mosqueteiro William sobre Washington ocorreu. Mas aconteceu depois do zagueiro sãopaulino estar impedido e, pela regra, deveria valer o primeiro lance. Ou seja, o São Paulo foi favorecido com o gol validado. A expulsão de André Dias é questão de critério. Eu daria. Outros não. Portanto, empate.

E como se fala no idioma dos boleiros, os bandeirinhas andam mesmo de braço curto a favor da equipe tricolor. O São Paulo só marca gols impedidos... Disso, nenhum sãopaulino reclama... E no placar geral, os tricolores mais são favorecidos que prejudicados... 

Bom, passaram os primeiros 90 minutos da decisão. O São Paulo não perdeu ainda a guerra. Na verdade, o placar da partida poderia ter sido até mais elástico. O Corinthians jogou melhor e perdeu a oportunidade de golear... Mas, acredito no bom trabalho do Mano Menezes, na raça da esquadra mosqueteira e no brilho do Ronaldo.

Do outro lado aposto no Santos. Enfrentou o Palmeiras com mais vontade e quer muito ir à final. Mas, independentemente de quem seja, ambos serão grandes adversários tanto para o Corinthians, como para o São Paulo. Pois, na minha opinião, os dois últimos são os favoritos...

Bom, vamos ver... Nesse horário, no próximo domingo, todas as especulações já estarão resolvidas. Pelo menos quanto as semis... 

Contudo, tal como abri este post, arrisco: talvez seja a Páscoa - a festa da ressuscitação - o início de um novo ciclo de títulos e glórias do Corinthians após do redentor retorno à Série A do Brasileirão... Quem sabe uma nova aliança com as vitórias não comece com o título do Paulistão!

Rapidinhas: 
  • O craque Neto tem razão: o Elias merece seleção! 
  • O Cristian fez um gol tão emocionante que o meu filho Chicão até pulou! Mesmo estando ainda dentro da barriga da minha querida esposa Iracema...  O garoto já é gavião!!! Por parte de pai. E de mãe!!!

sábado, 11 de abril de 2009

Saudades do Laurindão e meu retorno ao Blog...

Tornei-me Tojeira graças ao meu avô Laurindo. Porém, infelizmente, no dia 05 de março o "português" nos deixou. Agora já completa alguns dias no céu. Lá ele deve estar tirando sarro dos santos, brincando com os anjos e cuidando de todos nós que estamos aqui em baixo. Já deve até ter conquistado a simpatia Dele, o Todo-Poderoso.

Laurindão era um cara (ops! Tojeira! Cara é o sobrenome da família do meu pai...) sensacional! E por isso até agora a tristeza toma conta de mim. Não há um dia sequer que não fico calado, introspectivo... Tentei até escrever um memorial, mas não fui capaz: a perda é recente e uma simples foto dele mareja meus olhos. Há sentimentos tão nobres que não podem ser escritos, descritos, representados, apenas são sentidos.

Meu avô Laurindo foi um homem simples, trabalhador, honesto, religioso... daqueles que tiveram uma vida verdadeiramente edificante, daquelas que de fato fazem diferença para suas nações e para a história do mundo. Foi soldado, pedreiro, carpinteiro, pintor, comerciante. Torceu pela seleção brasileira e pelo selecionado português. Fez figas para a Lusa, para o Benfica, mas ultimamente se emocionava mesmo pelo Corinthians... Amava netos e bisnetos. Gostava muito dos meus cunhados e andava preocupado com a oficialização do meu casamento... Nos últimos ansiava pela chegada do Francisco, meu filho que ainda cresce na barriga da minha mulher Iracema... Ela ele também já adorava como neta.

Mas, a vida precisa voltar... e abaixo "posto" um texto que enviei para meus companheiros e companheiras da Campanha Nacional pelo Direito à Educação pelo apoio que deram nos dias seqüentes ao falecimento do meu vô... O luto de mais de um mês desse blog termina agora. Ser eu mesmo e fazer o que gosto é a melhor homenagem que posso fazer ao meu "português". E que Deus e ele nos protejam!

(***)

São Paulo, 10 de março de 2009.

Queridos Campanheiros e Queridas Campanheiras,

Voltei hoje ao batente e escrevo exclusivamente para agradecer o apoio e a solidariedade de todos e todas vocês nesse momento difícil e de dor pelo qual passa minha família. As atitudes e as palavras carinhosas e cuidadosas de cada um e cada uma de vocês trouxeram e trazem enorme conforto e, enfim, expressam a solidariedade que há neste grupo e nesta roda tão especial de luta por um país justo.

Meu Avô Laurindo era um grande homem: simples, alegre, batalhador, trabalhador. Ele faz e fará muita falta. A tristeza é grande em minha família e na Vila Zatt, bairro piritubano em que ele morava e onde permanece vivendo minha Avó Emília, seu grande amor. Por lá, o carinho por ele é tão grande que a comunidade organizou e encheu em menos de cinco minutos um ônibus para acompanhar o funeral. O "Apostolado da Oração" e os "Vincentinos" - dois dos muitos grupos católicos de que ele participava - rezaram um belo terço no velório e cantaram as músicas que ele adorava cantar. Foi emocionante, digno da simpatia, da simplicidade e da grandeza dele.

Bom, nesse exato momento, podem ter certeza, já deve estar rolando uma baita festa no céu. Não tenho dúvidas de que o Português está tirando sarro dos santos e dos anjos, fazendo muitas amizades, inventando apelidos e, principalmente, cuidando de todos e todas nós. E eu até desconfio: quem sabe ele não foi ele quem deu uma mão (ou uma cabeça?) pro Ronaldo marcar o gol contra o Palmeiras no domingo, no finalzinho do jogo, do jeito que ele gostava?

Antes meu Avô torcia para a Lusa. Mas quando eu nasci virou corinthiano roxo, dos bons mesmo. No ano passado até batizei ele dando uma camisa oficial do Timão, molhando sua careca inesquecível com água e fazendo um sinal da cruz com sua bengala. Ele pediu, eu fiz a brincadeira (ritual!). Ele adorou! Já era mosqueteiro há tempos, mas a queda para a segundona exigiu um batismo de verdade, era preciso uma medida extrema... Depois ele me disse em tom jocoso que "confessou" a história na Igreja, mas não deu polêmica, não. Na Vila Zatt a Igreja é mais moderna, honesta e livre. Não excomunga gente inocente... (ele teria ficado muito decepcionado com a Igreja Católica nessa história que está rolando em Pernambuco!)

Mas, fico triste mesmo por ele não ter conhecido o meu filho, o "Chicão da Fiel", futuro centroavante do Timão! Mas, quem sabe o Francisco não decida ser gaiteiro como foi seu Bisavô Laurindo, naqueles velhos e bons tempos vividos em Portugal? Quem pode saber? O futuro ao Chiquinho pertence... Sinceramente, só desejo que meu filho tenha saúde e seja simples, alegre, batalhador e trabalhador como foi o meu Vô Laurindão, herói da minha infância, adolescência, juventude...

Enfim, para passar essa enorme dor que sinto é preciso contar com os amigos, como ele mesmo já tinha me ensinado. E agradeço a vocês por isso.

A morte é parte do movimento da vida, inclusive para aproximar ainda mais de nós pessoas queridas. E isso ocorre mesmo sendo a morte, essencialmente, um evento de uma separação de pessoas queridas...

Forte abraço,
obrigado pelo carinho...
Daniel.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Estréia de Ronaldo e polêmica no Blog



Ronaldo estreou. E jogou aquilo que lhe era possível. Errou uma jogada, foi bem em outras quatro. Teve uma boa participação na defesa, quando tirou bem de cabeça uma bola na grande área do Corinthians. Poderia ter feito um gol, mas Douglas - egoísta - não passou lhe bola. Após a conclusão do lance lembrei até daquela partida no início da década de 90 para comemoração dos 50 anos do Pelé. O Brasil perdeu o jogo por 1x2 no monumental estádio San Siro, com gols de Hagi e Michel para o combinado dos melhores do mundo. Neto - o eterno xodó - anotou para a seleção canarinho. Naquele jogo, no primeiro tempo, o Rei - até aquele momento, o melhor em campo - entrou na grande área sozinho. Porém, um cabeça de bagre da nossa seleção não lhe fez o passe. Pior: adiantou a bola, abaixou a cabeça e deu um chutão... e a pelota foi longe, longe... Alguém se lembra do nome do infeliz?

Naquela tarde ambos poderiam se consagrar. Pelé pelo gol aos 50 anos. O cabeça de bagre pelo passe ao Rei. Contudo, não foi assim e poucos se lembram daquele jogo. Poderia ter sido diferente, poderia ter sido uma partida antológica! E o mesmo aconteceu agora pouco com Douglas e Ronaldo. O suposto “maestro” alvinegro só perdeu em não passar. E o Fenômeno saiu sem anotar também... Uma pena...

No entanto, ontem valeu pela estréia. Mesmo com a qualidade do futebol de Ronaldo permanecendo uma incógnita. Espero, sinceramente, que dê certo. E desejo isso por três motivos: primeiro, sou corinthiano. Segundo, gosto muito do Ronaldo. Terceiro - e mais importante -, sou centroavante e ando gordinho. Ou seja, eu, Ronaldo e o paraguaio Cabañas defendemos uma máxima: centroavante bom é centroavante gordo. Quiçá o Fenômeno honre essa nossa mística. Da minha parte, vou fazendo meus gols. Há uns 10 anos continuo marcando pelo menos 3 por partida disputada. Porém, confesso, elas não têm sido muito freqüentes. Contudo, o que vale é bola na rede. Mesmo com minhas pernas cismando em não obedecer mais minha cabeça...

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Na Copa do Brasil o Corinthians venceu o bom Itumbiara por 2x0 e se livrou da partida de volta contra o atual campeão goiano. Poderia ter mais sido fácil. Mas, não foi. Apenas Fabinho jogou sério durante os 90 minutos. Salvou o bicho e honrou a camisa 32 mosqueteira. Honestamente, espero que isso mude no Corinthians. Desde o início do ano o alvinegro só jogou bem contra o Estudiantes da Argentina. Mas, era um amistoso.

No torneio nacional o Timão pegará na próxima fase o regular Misto do Mato Grosso do Sul. O time pantaneiro superou o Campinense da Paraíba nas penalidades máximas. É uma chave para ser resolvida em apenas um jogo. Quiçá seja assim!

(***)

Vi também o jogo do Internacional de Porto Alegre pelo torneio nacional. O Colorado sofreu para marcar os dois gols que precisava contra o União Rondonópolis do Mato Grosso. O Inter tinha perdido a primeira partida por 1x0. É a velha máxima: não existe mais time bobo no futebol mundial. Todo mundo sabe montar uma eficiente retranca... O São Paulo, contra o timeco da Colômbia que o diga. Quase levou um sacode do apenas aguerrido Independiente de Medellín em pleno Panetone (ops, Morumbi!)... Ah, se não fosse o renegado Borges...!

(***)

Eu e minha Irazinha visitamos Santiago recentemente. Foi em dezembro, no recesso de fim de ano. E lá simpatizamos com o Colo-Colo. Ninguém sabe da nossa satisfação quando vimos o "time do povo" chileno vencer com autoridade nosso arqui-rival Palmeiras pela Libertadores. Foi 3x1 em pleno Parque Antártica. Eles vestem preto-e-branco. O Corinthians enverga as mesmas cores. Tomara que no Dérbi o alvi-negro permaneça superando o alvi-verde. Vai Corinthians!!!

(***)



Foi de goleada! Neste Blog Neto ganhou por 5x1 de Raí como melhor camisa 10 do início da década de 90. A favor do Xodó da Fiel se manifestaram eu e mais quatro comentadores. Optou pelo Rei do Morumbi apenas meu cunhado Fábio. É possível dizer que a diferença de votos entre um e outro serve como parâmetro de comparação. Neto foi 4 vezes melhor que o irmão do Sócrates - esse, sem dúvida, melhor que os dois. Dá-lhe, Neto!

Fabião, não fique triste. Mas, a voz do povo é a voz de Deus!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A eterna polêmica do futebol: quem é ou foi melhor?



A tradicional e sadia polêmica do futebol foi reascendida no Brasil nos últimos dias. Na TV, Internet, rádio a pergunta virou mania nacional, especialmente no estado de São Paulo. Considerando toda a carreira, quem é (ou foi) melhor goleiro: Rogério Ceni ou Marcos?

Essa polêmica é especialmente difícil de ser respondida. Ambos se mantêm na ativa, embora estejam dando claros sinais de que suas carreiras brilhantes estejam acabando. No entanto, se é para fazer um bom debate eu incluiria Dida na disputa. E entre os três, mesmo sendo corinthiano, escolheria Marcos. Ceni bate falta, Dida pega e pegou muitos pênaltis, os três são (ou foram?) campeoníssimos. Mas Marcos foi titular e campeão na Copa do Mundo de 2002 e defendeu muito desde que se tornou titular no Palmeiras, para minha sincera tristeza. Acredito que Dida tenha sido melhor que ambos embaixo das traves. Ceni tem e teve melhor reposição de bola. Contudo, Marcos é mais equilibrado como goleiro e nenhum dos outros dois teria feito melhor papel naquela Copa disputada na Coréia e no Japão.

De bate-pronto, minha opinião rápida em outras polêmicas de quem foi ou é melhor:

Quem foi mais jogador: Neto ou Raí? Raí era um atleta excepcional. Neto era um baita jogador de futebol. Foi um craque! Desajustado, mas craque... Ganha o xodó da Fiel. Embora o Rei do Morumbi tenha conquistado títulos mais importantes em sua carreira. Porém, nenhum campeonato ganho pelo São Paulo de Raí tenha sido tão épico quanto o do Brasileirão de 1990, conquistado inclusive sobre o próprio São Paulo de Raí... É Neto! Fácil...

Qual foi o maior ídolo do Timão: Marcelinho Carioca ou Neto? É um duro embate, mas considero o Marcelinho Carioca. Neto foi o grande responsável pelo título brasileiro de 1990, conquista espetacularmente corinthiana. Contudo, Marcelinho ganhou mais no Timão e foi mais regular no conjunto de sua obra. Pena que ambos foram injustiçados na seleção brasileira. Neto em 1990, Marcelinho em 1998 e 2002. Nas batidas de falta, ambos empatam...

Falando nisso, nas faltas quem ganha: Ceni ou Neto? Fácil, Neto. Essa nem deveria ser uma polêmica. Neto batia de qualquer canto do campo, com uma variação enorme de estilo de chutes. Ceni é eficiente, mas bate do mesmo modo. É um chute certeiro, mas feinho, feinho... É Neto, com toda certeza. E Marcelinho, na mesma linha, também ganha do antipático goleiro tricolor.

Times: São Paulo de 1992, Palmeiras de 1996 ou Corinthians de 2000? Pelos títulos conquistados é o São Paulo, pelos gols é o Palmeiras, mas pelo futebol, sem dúvida, é o Corinthians de 2000. Nunca vi um time brasileiro com um quadrado mágico tão genial, formado por jogadores como Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho Carioca. Na frente, Luizão e Edílson. Todos os seis jogando em suas melhores fases...

Qual é o maior adversário do Timão: São Paulo ou Palmeiras? Ontem, Palmeiras. Hoje, São Paulo. Amanhã, São Paulo. Pelo presente e pelo futuro gosto mais de jogar (e de vencer) o São Paulo!

Ronaldo ou Romário? Romário foi o melhor jogador que vi jogar. Ronaldo o melhor centro-avante, com um arranque vertiginoso. Mas, fico com o Baixinho, mais habilidoso, mais vistoso e também muito eficiente...

Na lateral da seleção, Cafu ou Jorginho? Jorginho, extremamente fácil! Era muito, mas muito mais lateral do que seu concorrente. Cafu, verdade seja dita, era mais atleta que Jorginho..., porém é a mesma lógica da polêmica entre o Neto e o Raí. Fico com o Neto. E com o Jorginho...

Bom, há uma lista infindável de polêmicas... Mas, fico por aqui deixando claro: na maior de todas elas fico com o Pelé. O Rei do Futebol foi bem melhor que Maradona. Aliás, nem sei o porquê dessa ser uma polêmica... Nem é preciso perder tempo argumentando! Garrincha, Rivelino, Leônidas, Didi também foram melhores do que o argentino. Zidane e Zico empatam com "El Pibe". Sócrates, Tostão perdem por pouco...

E recomeçam as polêmicas...

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Pontapé inicial: o nome deste Blog...


Em 1978 nasci Daniel Tojeira Cara. E durante a pré-escola eu era apenas Daniel. No entanto, na primeira série do antigo primário (atual ensino fundamental séries iniciais), tornei-me “Tojeira”.

Honestamente, até hoje, não sei bem o porquê disso. Primeiro: não tinha outro Daniel na 1ª “B” do Colégio São João Gualberto. Segundo: pela tradição (patriarcal) brasileira eu deveria ser “Cara”, meu sobrenome paterno...

Mas, não tinha jeito, na escola eu era mesmo o “Tojeira” e ponto final! E como resisti no começo, o nome foi pegando, se espalhando... e ficou definitivamente consolidado graças ao professor Carlão, o mais marcante da minha vida:

- Tojeira, pô, já te falei mil vezes: levanta essa cabeça enorme quando for chutar a gol!

- Ô Tojeira, usa a esquerda, pô! Quem chuta só com a direita não tem futuro no futebol de hoje...

- Pega, pega, pega! Não, Tojeira, é só pra enfrentar... O jogo é na bola, não é pra dar porrada, pô!

- Tojeira, faz o corta-luz, o corta-luz! Corre, corre! Aê! Boa, garoto...

Dai em diante, no Gualberto, eu era só o Tojeira. Nada de Daniel, muito menos Cara. E como é normal nas práticas e experiências infantis, fazendo um uso "criativo" da sonoridade do meu sobrenome-apelido, alguns (muitos!) coleguinhas meus foram produzindo uma série infindável de maldosas (saudáveis?) variações infantis da minha alcunha... De "Tojeira" virei “Nojeira”, “Sujeira”, “Toupeira”. Ganhei até uma paródia musical baseada no sucesso “Tô pê da vida” da banda Dominó, grupo razoavelmente conhecido por quem viveu nos anos 80.

A maldita canção-tiração-de-sarro era basicamente a repetição infinita de um refrão bem pegajoso. Era mais ou menos assim: "Touperia da vida (tã-ram-tã-tã), com dentões que só servem pra cavar buraco, é engraçado, detestável, horrível, não tem jeito, não jeito, não tem jeito"... Como visto, a protuberância dos meus dentões frontais foram muito úteis massificação da brincadeira em toda a escola...

Só agora, contando essa história aqui, percebo que no final das contas eu até gostava das brincadeiras. Porém, não deixava ninguém passar incólume. É a lei de sobrevivência na infância: é fundamental sarrear antes de ser sarreado! Com isso, fiquei bom no esporte de dar apelidos. E assim o "Tojeira" foi deixando de ser motivo de escárnio e logo foi virando minha única e respeitosa designação...

- Conhece o Daniel do time de futebol?

- Não. Tem o Cebola, o Francis, o Adriano, o bem mesmo é o Tojeira...

- Ah, acho que é o Tojeira!

- Mas, o nome dele é Daniel?

- Não sei. Eu só conheço o Tojeira.

Entre os anos de 1989 e 1990, apaixonado pela bola e estimulado por algumas medalhas em campeonatos escolares, decidi jogar futebol. Sem dúvida nenhuma, essa foi a primeira vez que elegi um objetivo absoluto na minha vida - e, (in)felizmente, não consegui mais curar essa doença incorrigível!

Para se ter uma idéia, eu chegava ao preciosismo de dividir minha futura carreira futebolística em etapas e metas.

Primeiro eu precisava me consolidar como centroavante no Gualberto e no time da minha querida Rua "6" - o que não foi difícil, assumo. Depois deveria me dedicar a passar em uma peneira do Spor Club Corinthians Paulista. A luta então seria para conquistar um lugar ao sol, ou seja, ser titular do ataque mosqueteiro desde as categorias de base até a equipe principal.

Dai em diante, acumulando gols e títulos como profissional, eu seria invariavelmente convocado para a seleção brasileira. Envergando a "9" canarinho, participaria de cinco Copas do Mundo - estreando em 1994 e encerrando minha contribuição em 2010 -, ganhando ao menos quatro títulos. Finalmente, para fechar minha carreira com chave-de-ouro, acumularia um total de 2000 gols, ou mais, superando Pelé e me tornando o novo Rei do Futebol!

Hoje é hilário, absurdo, mas na época com 11 ou 12 anos e contando com a artilharia somada da escola e do bairro era um plano perfeito e bem factível... Porém, como nem sempre querer é poder, eu não passei em nenhum teste no Parque São Jorge e comecei a ver todo o meu planejamento ruindo... Contudo, por pura resignação - e em um primeiro exercício de tolerância, ou melhor, alteridade -, dei uma última cartada ingressando no futebol de salão do Palmeiras, o que era bem mais fácil do que vencer nas peneiras do Timão...

E, logo na inscrição, antes de começarem os treinos, o professor Ferreti decretou:

- Você vai ser o pivô e seu nome vai ser ‘Tojeira’. É nome de craque, goleador!

- Tá bom, tá bom! Exclamei em parte obediente, em parte assustado...

No fundo, achei estranho: no salão, ser pivô era o que eu queria ser mesmo (é o centroavante das quadras); mas entre ser "Tojeira" e ser um craque a distância é grande, e bem grande... E, claro, pelo que eu sabia nome não influi em nada... Pelé, por exemplo, não é o que se pode chamar de nome forte, bonito. Contudo, o santista foi o melhor de todos os tempos...

Concluí, então, definitivamente: ser o "Tojeira" era a minha sina. E, sinceramente, eu não achava ruim, até gostava da idéia!

Foi rápido e três treinos depois o nome pegou para o time... No entanto, obviamente, para a molecada da equipe minha designação não parava por ai. Eu era também o "Toupeira", "Nojeira" e "Sujeira" de sempre. Mas, tinha uns novos apelidos: "Dente", "Dentinho", "Dentão", "Branco", "Pirituba", "Alemão", "Cabeça", "Violinha", "Casão"... - como se vê, não escondia nunca (nem escondo!) meu corinthianismo, muito menos em terreno inimigo...

Como era (sou ainda?) teimoso, demorou alguns anos para eu perceber que minha carreira no futebol não tinha futuro. A ficha caiu mesmo quando, em um jogo amistoso, vi que eu era melhor e mais útil ao time como capitão do que como pivô. Conversei com o Ferreti, ele foi contra, mas passei a não ir mais nos treinos até abandonar de vez a equipe - o bom é que nunca mais vesti uma camisa do Palmeiras, graças a Deus!

Pouco tempo depois, tendo o futebol apenas como principal diversão, mergulhei nos estudos e me dediquei exclusivamente à operação e programação de softwares e desempenhava um bom papel "sócio-funcionário" do meu pai em nossa saudosa empresinha caseira de automação comercial. Eu era também uma peça estratégica.

Os novos planos deram mais certo, passei primeiro na ETESP (Escola Técnica Estadual de São Paulo), completei bem o curso e de quebra fui presidente da gloriosa gestão GR.I.T.E. (Grêmio Independente de Todos os Estudantes) do "Grêmio Estudantil XXVIII de Março". Logo em seguida, já como técnico em processamento de dados, entrei na USP (Universidade de São Paulo) no curso de Ciências Sociais. E depois fiz mestrado, por lá mesmo.Do antigo colegial (hoje ensino médio) em diante, aos poucos, fui deixando de ser apenas o "Tojeira". Na ETESP eu era mais o Daniel, o Dani, o Dã...

Em 1999, por volta de março, fui ministrar um curso sobre “participação política” para uma turma de adolescentes do Espaço Sarau. O Sarau era um movimento juvenil bem pulsante e alternativo (até demais para meu gosto!), que envolvia muita gente boa e divertida. Eu estava em pleno vapor na faculdade, era o presidente do Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais da USP e atuava em uma série de ONGs e movimentos juvenis - ou seja, tinha uma verdadeira paixão e devoção pela temática para a qual tinha sido chamado a contribuir...

A atividade iria acontecer em um sábado, no final de uma tarde chuvosa, por volta das 17 horas. Devido ao mau tempo e ao nervosismo (com 20 anos dar palestras não é o forte de ninguém...), decidi chegar bem antes do horário do evento para "conhecer" - ou me "acostumar" - com o espaço. Fiz tudo o que podia fazer.

Basicamente, isso se restringia a andar de um lado para o outro da sala, tentando controlar a ventania que passava por dentro da minha barriga, na altura do umbigo. Sem sucesso, decidi por bem ler os avisos na parede da sala. De repente, em última tentativa de ambientação, vi que meu nome tinha sido divulgado na programação do evento como “Daniel Cara”. Achei estranho, ri, mas dali em diante o nome pegou e assim ficou, naturalmente...

Porém, de um tempo para cá, tenho tido saudades de ser “Tojeira”. E também sempre achei injusto com a família do meu avô ser apenas "Daniel Cara". Especialmente por isso, além do puro saudosismo, batizei este espaço de "Blog do Tojeira"...

E como a identidade deste meu sobrenome materno está intrinsecamente relacionada à minha paixão pelo futebol, pretendo dar destaque para o esporte bretão neste espaço. Porém, não quero deixar de dar uns pitacos sobre a vida cotidiana, cinema, literatura, curiosidades e outros temas que considero divertidos...

Para finalizar e matar a curiosidade, segundo o google, a Wikipedia e o dicionário Houaiss, Tojeira provêm de Tojo. O tojo é um arbusto típico da flora atlântica da península Ibérica e de toda Europa temperada. Normalmente, alcança dois metros de altura, sendo classificado como membro da família das leguminosas. É ereto e significativamente ramoso, possui uma coloração verde-cinzenta, tem folhas pontiagudas e flores amarelas. Produz ainda vagens ovais e vilosas das quais podem ser extraídas sustâncias orgânicas para fins terapêuticos.

Para facilitar ainda mais a compreensão e matar a curiosidade, a imagem acima é de um Tojo ou de uma Tojeira.

Embora os registros não sejam seguros, a que tudo indica, o uso desta alcunha como sobrenome e designação familiar foi iniciado por cristãos novos vindos do Norte da África.