segunda-feira, 20 de abril de 2009

O freguês voltou: Corinthians 4 X São Paulo 1 na soma dos resultados...

Mais um Majestoso, mais uma vitória do Corinthians. E estou completamente rouco. Fazia tempo que não via uma vitória tão inconteste no mais polêmico clássico paulista. E o placar poderia ter sido mais elástico... Sinceramente, houve excesso de respeito ou alguma displicência por parte dos jogadores mosqueteiros, por que se assim não fosse seria plenamente factível ao Corinthians marcar mais uns 3 ou 4 gols. Ainda assim, a vitória foi indiscutível: o São Paulo deixou de existir em campo aos 13 minutos do segundo tempo. Preocupada com a apatia do time diante do maior rival, a torcida são-paulina - normalmente arrogante - rendeu-se à superioridade alvi-negra. Resignada, cantou o hino tricolor mesmo diante de tão acachapante derrota, procurando evitar que o resultado ponha em risco a campanha de seu time na Libertadores da América. Será que vai funcionar???

Em poucas palavras, nos dois jogos, o Corinthians foi completamente superior. Mano driblou estratégica e taticamente Muricy. O espetacular Ronaldo calou Leco, Marco Aurélio Cunha e todos os demais empolados e presunçosos dirigentes do São Paulo. No duelo das camisas 10, Douglas superou Hernanes - que diria?. E Felipe mostrou que é um dos melhores goleiros do país... Para finalizar, o Fenômeno lavou a alma do seu companheiro Cristian na comemoração de seu gol: braços cruzados e dedos indicadores erguidos. E o Corinthians é o número 1. Ponto final.

Contudo, aos fundamentais grilos-falantes, a vitória representa apenas mais um acesso à uma grande final. E é verdade: para vencer o Santos de hoje - time moleque e motivado - será preciso ao Corinthians jogar mais do que jogou até agora. O time da baixada mostrou mais vontade e força que São Paulo e Palmeiras juntos...

Ou seja, o Timão tem mais duas semanas duras pela frente no Paulistão, é verdade. Porém, ainda que para o título faltem duas batalhas, ganhar dois jogos seguidos do São Paulo é diferente, especialmente do jeito que foi - tão inconteste!

Isso porque os dois times sintetizam os conflitos sociais na metrópole paulistana, a maior do Hemisfério Sul. Em síntese, ontem, o time-arquétipo do trabalhador venceu o time-arquétipo do novo rico. A periferia venceu o centro-expandido. O office boy se vingou do patrão. O mano venceu o mauricinho. O moleque que brinca nas ruas suburbanas ganhou do garoto que aprendeu a empinar pipa no ventilador, a jogar bola de gude no carpete...

É claro, toda generalização incorre em injustiças. No entanto, essas comparações dizem respeito a arquétipos, a tipos-ideais, como bem ensinou o sociólogo Max Weber. Em outras palavras, servem essencialmente como referência classificatória. Porém, enquanto os são-paulinos continuarem dizendo que o Corinthians é time de pobre, analfabeto, favelado, etc a comparação vale e os maloqueiros continuarão vencendo os supostos riquinhos. É o que mostra a história.

Enfim, como gritaram os corinthianos ontem: o “freguês voltou!” e “oléééé, ôôôôlé!!! Oxalá!!!

E, enquanto isso, meu vô Laurindo comemora no céu!!! E o meu filho Francisco comemora na barriga da minha Irazinha, já com quase 4 quilos e mais de 50 centímetros!!! Será que ele vai nascer Campeão Paulista?

domingo, 12 de abril de 2009

Primeiro Majestoso das Semis do Paulistão: Corinthians 2 X 1 São Paulo



No domingo de Páscoa de 2009 a mística corinthiana ressurgiu: o Timão venceu o Majestoso de virada, com gol do volante Cristian no último minuto - do jeito que o time do povo gosta!!! Rolou uma grande festa da Fiel Torcida. E foi merecida. 

Como de costume, jogadores e cartolas do São Paulo estão reclamando até agora do árbitro Fifa Salvio Spinola Fagundes Filho. De fato, hoje não era dia dele. Porém, lance-por-lance, os erros ocorreram para os dois lados de modo eqüanime. 

Logo no início Ronaldo poderia ser expulso, mas não foi. O gol de Miranda foi validado, mas não deveria. A penalidade máxima do mosqueteiro William sobre Washington ocorreu. Mas aconteceu depois do zagueiro sãopaulino estar impedido e, pela regra, deveria valer o primeiro lance. Ou seja, o São Paulo foi favorecido com o gol validado. A expulsão de André Dias é questão de critério. Eu daria. Outros não. Portanto, empate.

E como se fala no idioma dos boleiros, os bandeirinhas andam mesmo de braço curto a favor da equipe tricolor. O São Paulo só marca gols impedidos... Disso, nenhum sãopaulino reclama... E no placar geral, os tricolores mais são favorecidos que prejudicados... 

Bom, passaram os primeiros 90 minutos da decisão. O São Paulo não perdeu ainda a guerra. Na verdade, o placar da partida poderia ter sido até mais elástico. O Corinthians jogou melhor e perdeu a oportunidade de golear... Mas, acredito no bom trabalho do Mano Menezes, na raça da esquadra mosqueteira e no brilho do Ronaldo.

Do outro lado aposto no Santos. Enfrentou o Palmeiras com mais vontade e quer muito ir à final. Mas, independentemente de quem seja, ambos serão grandes adversários tanto para o Corinthians, como para o São Paulo. Pois, na minha opinião, os dois últimos são os favoritos...

Bom, vamos ver... Nesse horário, no próximo domingo, todas as especulações já estarão resolvidas. Pelo menos quanto as semis... 

Contudo, tal como abri este post, arrisco: talvez seja a Páscoa - a festa da ressuscitação - o início de um novo ciclo de títulos e glórias do Corinthians após do redentor retorno à Série A do Brasileirão... Quem sabe uma nova aliança com as vitórias não comece com o título do Paulistão!

Rapidinhas: 
  • O craque Neto tem razão: o Elias merece seleção! 
  • O Cristian fez um gol tão emocionante que o meu filho Chicão até pulou! Mesmo estando ainda dentro da barriga da minha querida esposa Iracema...  O garoto já é gavião!!! Por parte de pai. E de mãe!!!

sábado, 11 de abril de 2009

Saudades do Laurindão e meu retorno ao Blog...

Tornei-me Tojeira graças ao meu avô Laurindo. Porém, infelizmente, no dia 05 de março o "português" nos deixou. Agora já completa alguns dias no céu. Lá ele deve estar tirando sarro dos santos, brincando com os anjos e cuidando de todos nós que estamos aqui em baixo. Já deve até ter conquistado a simpatia Dele, o Todo-Poderoso.

Laurindão era um cara (ops! Tojeira! Cara é o sobrenome da família do meu pai...) sensacional! E por isso até agora a tristeza toma conta de mim. Não há um dia sequer que não fico calado, introspectivo... Tentei até escrever um memorial, mas não fui capaz: a perda é recente e uma simples foto dele mareja meus olhos. Há sentimentos tão nobres que não podem ser escritos, descritos, representados, apenas são sentidos.

Meu avô Laurindo foi um homem simples, trabalhador, honesto, religioso... daqueles que tiveram uma vida verdadeiramente edificante, daquelas que de fato fazem diferença para suas nações e para a história do mundo. Foi soldado, pedreiro, carpinteiro, pintor, comerciante. Torceu pela seleção brasileira e pelo selecionado português. Fez figas para a Lusa, para o Benfica, mas ultimamente se emocionava mesmo pelo Corinthians... Amava netos e bisnetos. Gostava muito dos meus cunhados e andava preocupado com a oficialização do meu casamento... Nos últimos ansiava pela chegada do Francisco, meu filho que ainda cresce na barriga da minha mulher Iracema... Ela ele também já adorava como neta.

Mas, a vida precisa voltar... e abaixo "posto" um texto que enviei para meus companheiros e companheiras da Campanha Nacional pelo Direito à Educação pelo apoio que deram nos dias seqüentes ao falecimento do meu vô... O luto de mais de um mês desse blog termina agora. Ser eu mesmo e fazer o que gosto é a melhor homenagem que posso fazer ao meu "português". E que Deus e ele nos protejam!

(***)

São Paulo, 10 de março de 2009.

Queridos Campanheiros e Queridas Campanheiras,

Voltei hoje ao batente e escrevo exclusivamente para agradecer o apoio e a solidariedade de todos e todas vocês nesse momento difícil e de dor pelo qual passa minha família. As atitudes e as palavras carinhosas e cuidadosas de cada um e cada uma de vocês trouxeram e trazem enorme conforto e, enfim, expressam a solidariedade que há neste grupo e nesta roda tão especial de luta por um país justo.

Meu Avô Laurindo era um grande homem: simples, alegre, batalhador, trabalhador. Ele faz e fará muita falta. A tristeza é grande em minha família e na Vila Zatt, bairro piritubano em que ele morava e onde permanece vivendo minha Avó Emília, seu grande amor. Por lá, o carinho por ele é tão grande que a comunidade organizou e encheu em menos de cinco minutos um ônibus para acompanhar o funeral. O "Apostolado da Oração" e os "Vincentinos" - dois dos muitos grupos católicos de que ele participava - rezaram um belo terço no velório e cantaram as músicas que ele adorava cantar. Foi emocionante, digno da simpatia, da simplicidade e da grandeza dele.

Bom, nesse exato momento, podem ter certeza, já deve estar rolando uma baita festa no céu. Não tenho dúvidas de que o Português está tirando sarro dos santos e dos anjos, fazendo muitas amizades, inventando apelidos e, principalmente, cuidando de todos e todas nós. E eu até desconfio: quem sabe ele não foi ele quem deu uma mão (ou uma cabeça?) pro Ronaldo marcar o gol contra o Palmeiras no domingo, no finalzinho do jogo, do jeito que ele gostava?

Antes meu Avô torcia para a Lusa. Mas quando eu nasci virou corinthiano roxo, dos bons mesmo. No ano passado até batizei ele dando uma camisa oficial do Timão, molhando sua careca inesquecível com água e fazendo um sinal da cruz com sua bengala. Ele pediu, eu fiz a brincadeira (ritual!). Ele adorou! Já era mosqueteiro há tempos, mas a queda para a segundona exigiu um batismo de verdade, era preciso uma medida extrema... Depois ele me disse em tom jocoso que "confessou" a história na Igreja, mas não deu polêmica, não. Na Vila Zatt a Igreja é mais moderna, honesta e livre. Não excomunga gente inocente... (ele teria ficado muito decepcionado com a Igreja Católica nessa história que está rolando em Pernambuco!)

Mas, fico triste mesmo por ele não ter conhecido o meu filho, o "Chicão da Fiel", futuro centroavante do Timão! Mas, quem sabe o Francisco não decida ser gaiteiro como foi seu Bisavô Laurindo, naqueles velhos e bons tempos vividos em Portugal? Quem pode saber? O futuro ao Chiquinho pertence... Sinceramente, só desejo que meu filho tenha saúde e seja simples, alegre, batalhador e trabalhador como foi o meu Vô Laurindão, herói da minha infância, adolescência, juventude...

Enfim, para passar essa enorme dor que sinto é preciso contar com os amigos, como ele mesmo já tinha me ensinado. E agradeço a vocês por isso.

A morte é parte do movimento da vida, inclusive para aproximar ainda mais de nós pessoas queridas. E isso ocorre mesmo sendo a morte, essencialmente, um evento de uma separação de pessoas queridas...

Forte abraço,
obrigado pelo carinho...
Daniel.