
Mais um Majestoso, mais uma vitória do Corinthians. E estou completamente rouco. Fazia tempo que não via uma vitória tão inconteste no mais polêmico clássico paulista. E o placar poderia ter sido mais elástico... Sinceramente, houve excesso de respeito ou alguma displicência por parte dos jogadores mosqueteiros, por que se assim não fosse seria plenamente factível ao Corinthians marcar mais uns 3 ou 4 gols. Ainda assim, a vitória foi indiscutível: o São Paulo deixou de existir em campo aos 13 minutos do segundo tempo. Preocupada com a apatia do time diante do maior rival, a torcida são-paulina - normalmente arrogante - rendeu-se à superioridade alvi-negra. Resignada, cantou o hino tricolor mesmo diante de tão acachapante derrota, procurando evitar que o resultado ponha em risco a campanha de seu time na Libertadores da América. Será que vai funcionar???
Em poucas palavras, nos dois jogos, o Corinthians foi completamente superior. Mano driblou estratégica e taticamente Muricy. O espetacular Ronaldo calou Leco, Marco Aurélio Cunha e todos os demais empolados e presunçosos dirigentes do São Paulo. No duelo das camisas 10, Douglas superou Hernanes - que diria?. E Felipe mostrou que é um dos melhores goleiros do país... Para finalizar, o Fenômeno lavou a alma do seu companheiro Cristian na comemoração de seu gol: braços cruzados e dedos indicadores erguidos. E o Corinthians é o número 1. Ponto final.
Contudo, aos fundamentais grilos-falantes, a vitória representa apenas mais um acesso à uma grande final. E é verdade: para vencer o Santos de hoje - time moleque e motivado - será preciso ao Corinthians jogar mais do que jogou até agora. O time da baixada mostrou mais vontade e força que São Paulo e Palmeiras juntos...
Isso porque os dois times sintetizam os conflitos sociais na metrópole paulistana, a maior do Hemisfério Sul. Em síntese, ontem, o time-arquétipo do trabalhador venceu o time-arquétipo do novo rico. A periferia venceu o centro-expandido. O office boy se vingou do patrão. O mano venceu o mauricinho. O moleque que brinca nas ruas suburbanas ganhou do garoto que aprendeu a empinar pipa no ventilador, a jogar bola de gude no carpete...
É claro, toda generalização incorre em injustiças. No entanto, essas comparações dizem respeito a arquétipos, a tipos-ideais, como bem ensinou o sociólogo Max Weber. Em outras palavras, servem essencialmente como referência classificatória. Porém, enquanto os são-paulinos continuarem dizendo que o Corinthians é time de pobre, analfabeto, favelado, etc a comparação vale e os maloqueiros continuarão vencendo os supostos riquinhos. É o que mostra a história.
Enfim, como gritaram os corinthianos ontem: o “freguês voltou!” e “oléééé, ôôôôlé!!! Oxalá!!!
E, enquanto isso, meu vô Laurindo comemora no céu!!! E o meu filho Francisco comemora na barriga da minha Irazinha, já com quase 4 quilos e mais de 50 centímetros!!! Será que ele vai nascer Campeão Paulista?

