Tornei-me Tojeira graças ao meu avô Laurindo. Porém, infelizmente, no dia 05 de março o "português" nos deixou. Agora já completa alguns dias no céu. Lá ele deve estar tirando sarro dos santos, brincando com os anjos e cuidando de todos nós que estamos aqui em baixo. Já deve até ter conquistado a simpatia Dele, o Todo-Poderoso.
Laurindão era um cara (ops! Tojeira! Cara é o sobrenome da família do meu pai...) sensacional! E por isso até agora a tristeza toma conta de mim. Não há um dia sequer que não fico calado, introspectivo... Tentei até escrever um memorial, mas não fui capaz: a perda é recente e uma simples foto dele mareja meus olhos. Há sentimentos tão nobres que não podem ser escritos, descritos, representados, apenas são sentidos.
Meu avô Laurindo foi um homem simples, trabalhador, honesto, religioso... daqueles que tiveram uma vida verdadeiramente edificante, daquelas que de fato fazem diferença para suas nações e para a história do mundo. Foi soldado, pedreiro, carpinteiro, pintor, comerciante. Torceu pela seleção brasileira e pelo selecionado português. Fez figas para a Lusa, para o Benfica, mas ultimamente se emocionava mesmo pelo Corinthians... Amava netos e bisnetos. Gostava muito dos meus cunhados e andava preocupado com a oficialização do meu casamento... Nos últimos ansiava pela chegada do Francisco, meu filho que ainda cresce na barriga da minha mulher Iracema... Ela ele também já adorava como neta.
Mas, a vida precisa voltar... e abaixo "posto" um texto que enviei para meus companheiros e companheiras da Campanha Nacional pelo Direito à Educação pelo apoio que deram nos dias seqüentes ao falecimento do meu vô... O luto de mais de um mês desse blog termina agora. Ser eu mesmo e fazer o que gosto é a melhor homenagem que posso fazer ao meu "português". E que Deus e ele nos protejam!
(***)
São Paulo, 10 de março de 2009.
Queridos Campanheiros e Queridas Campanheiras,
Voltei hoje ao batente e escrevo exclusivamente para agradecer o apoio e a solidariedade de todos e todas vocês nesse momento difícil e de dor pelo qual passa minha família. As atitudes e as palavras carinhosas e cuidadosas de cada um e cada uma de vocês trouxeram e trazem enorme conforto e, enfim, expressam a solidariedade que há neste grupo e nesta roda tão especial de luta por um país justo.
Meu Avô Laurindo era um grande homem: simples, alegre, batalhador, trabalhador. Ele faz e fará muita falta. A tristeza é grande em minha família e na Vila Zatt, bairro piritubano em que ele morava e onde permanece vivendo minha Avó Emília, seu grande amor. Por lá, o carinho por ele é tão grande que a comunidade organizou e encheu em menos de cinco minutos um ônibus para acompanhar o funeral. O "Apostolado da Oração" e os "Vincentinos" - dois dos muitos grupos católicos de que ele participava - rezaram um belo terço no velório e cantaram as músicas que ele adorava cantar. Foi emocionante, digno da simpatia, da simplicidade e da grandeza dele.
Bom, nesse exato momento, podem ter certeza, já deve estar rolando uma baita festa no céu. Não tenho dúvidas de que o Português está tirando sarro dos santos e dos anjos, fazendo muitas amizades, inventando apelidos e, principalmente, cuidando de todos e todas nós. E eu até desconfio: quem sabe ele não foi ele quem deu uma mão (ou uma cabeça?) pro Ronaldo marcar o gol contra o Palmeiras no domingo, no finalzinho do jogo, do jeito que ele gostava?
Antes meu Avô torcia para a Lusa. Mas quando eu nasci virou corinthiano roxo, dos bons mesmo. No ano passado até batizei ele dando uma camisa oficial do Timão, molhando sua careca inesquecível com água e fazendo um sinal da cruz com sua bengala. Ele pediu, eu fiz a brincadeira (ritual!). Ele adorou! Já era mosqueteiro há tempos, mas a queda para a segundona exigiu um batismo de verdade, era preciso uma medida extrema... Depois ele me disse em tom jocoso que "confessou" a história na Igreja, mas não deu polêmica, não. Na Vila Zatt a Igreja é mais moderna, honesta e livre. Não excomunga gente inocente... (ele teria ficado muito decepcionado com a Igreja Católica nessa história que está rolando em Pernambuco!)
Mas, fico triste mesmo por ele não ter conhecido o meu filho, o "Chicão da Fiel", futuro centroavante do Timão! Mas, quem sabe o Francisco não decida ser gaiteiro como foi seu Bisavô Laurindo, naqueles velhos e bons tempos vividos em Portugal? Quem pode saber? O futuro ao Chiquinho pertence... Sinceramente, só desejo que meu filho tenha saúde e seja simples, alegre, batalhador e trabalhador como foi o meu Vô Laurindão, herói da minha infância, adolescência, juventude...
Enfim, para passar essa enorme dor que sinto é preciso contar com os amigos, como ele mesmo já tinha me ensinado. E agradeço a vocês por isso.
A morte é parte do movimento da vida, inclusive para aproximar ainda mais de nós pessoas queridas. E isso ocorre mesmo sendo a morte, essencialmente, um evento de uma separação de pessoas queridas...
Forte abraço,
obrigado pelo carinho...
Daniel.
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Oi Daniel, não sabia do falecimento do seu avô. Que triste. Força ai e que bom que voltou. Beijos, Eli.
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